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The World Atlas of Language Structures por Emanuel Souza de Quadros

Ontem foi o lançamento oficial da versão online do WALS (The World Atlas of Language Structures). Estão disponíveis no site todos os dados e textos analíticos do atlas publicado pela Oxford University Press, que custa míseros 1.433 reais e 70 centavos na Livraria Cultura (quer comprar?). Pois é, disponíveis online, de graça!

De acordo com o site, o atlas possui dados de mais de 2500 línguas. As pesquisas podem ser feitas por característica estrutural, por língua, por referência ou por autor. Como exemplo, podemos ver o mapa da distribuição de línguas que possuem contraste entre vogais nasais, em oposição às que não possuem. Para ver o nome da língua e as fontes de onde as informações foram retiradas, basta clicar no símbolo relevante no mapa. Cada característica estrutural é também acompanhada por um texto que traz as definições e distinções necessárias.

Fun!


ReVEL, Vol. 6 - Número 10 por Emanuel Souza de Quadros

Saiu ontem a nova edição da Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL. Esse número tem como tema Sintaxe Formal e traz, além de artigos e resenhas, três entrevistas bastante interessantes: Jairo Nunes falando sobre o Programa Minimalista, Jane Grimshaw falando sobre a Sintaxe na Teoria da Otimidade e Carlos Prolo falando sobre Tree-Adjoining Grammars.

O tema da próxima edição será Psicolingüística. O período de submissão de trabalhos vai até dia 5 de junho de 2008.


Tapiocagate por Emanuel Souza de Quadros

É essa a sugestão de Marcos Rocha para nomear o escândalo dos cartões de crédito corporativos, seguindo o padrão de formação X-gate. A única outra ocorrência de tapiocagate que encontrei foi esta, em um post datado de 12/02/08 no Blog do Harry.

Se me perguntarem como é o gosto da tal tapioca, digo que não sei. Acho que nunca comi uma, embora aquela aparência seja muito bonita. Se o recheio for bom, porque devem ter os bons e os ruins, com certeza pagaria os R$8,30 que o Ministro do Esporte, Orlando Silva, desembolsou naquele que logo mais ganhará a alcunha de "Tapiocagate"

Não sei se Harry Thomas Jr. andou lendo o blog do Marcos Rocha, cuja sugestão de tapiocagate foi publicada no dia 11/02. Eu apostaria em cunhagens paralelas do termo; vai saber.

Sobre a origem do sugerido nome do escândalo, segue abaixo apenas uma parte dos gastos do atual ministro do esporte, Orlando Silva, com seu cartão corporativo, de acordo com o Portal da Transparência. Em destaque, o registro de um pagamento de R$ 8,30 à tapiocaria Maria Bonita.

 


Como ser um cientista maduro por Emanuel Souza de Quadros

Vale a pena dar uma olhada nesse post do blog de Janet D. Stemwedel. Trata-se do primeiro de uma série de textos sobre "o projeto de ser um cientista maduro"; um tema delicado que, em geral, não é abordado na universidade, embora seja de grande importância para qualquer estudante, inclusive os de Lingüística, é claro.


*Quake your body por Emanuel Souza de Quadros

Geoffrey K. Pullum tem um post interessante no Language Log sobre a idéia que muitos não-lingüistas fazem da relação entre sintaxe e semântica; ou melhor, de como aquela seria completamente derivável desta. De acordo com essa visão, o modo como se dispõe uma palavra qualquer em uma sentença segue-se diretamente do significado dessa palavra. Isso implicaria não haver nada de não-trivial para ser dito sobre fatos sintáticos: eles seriam, pura e simplesmente, reflexo da organização semântica da sentença.

Um exame de qualquer língua natural revela muitos contra-exemplos a essa idéia. Um dos que Pullum aponta é a diferença de transitividade entre to quake e to shake, do inglês. Ambas as palavras têm basicamente o mesmo significado e podem ser traduzidas para o português como tremer. No entanto, to shake é transitivo, mas to quake
não. Por exemplo, se traduzíssemos a frase o temporal tremeu o mar para o inglês, poderíamos dizer the storm shook the sea, mas nunca *the storm quaked the sea, embora não seja evidente por que o significado de quake impediria tal uso.

Exemplos desse tipo são bons para que alguém se convença de que Sintaxe e Semântica constituem duas subdisciplinas distintas e relativamente independentes dentro da Lingüística. É evidente que isso não quer dizer que não haja intersecções entre elas, quer dizer apenas que há fatos puramente sintáticos e fatos puramente semânticos. Na prática, qualquer estudo aprofundado da sintaxe de uma língua deve fazer referência a fatos de natureza semântica, assim como um estudo aprofundado da semântica de uma língua deve fazer referência a fatos de natureza sintática.

Deixando de lado a divisão de tarefas entre as áreas da Lingüística, podemos ver uma implicação dessa discussão para a aquisição da linguagem: um aprendiz deve saber que certos tipos de evidências não são determinantes das propriedades sintáticas de um item lexical. Imaginemos, por exemplo, uma criança na tarefa de aprender os verbos shake e quake com suas respectivas valências. Se ela pensasse como um adulto não-lingüista, nada a impediria de considerar quake como um verbo transitivo, afinal isso é semanticamente possível: ela pode fazer seus brinquedos tremerem e pode usar shake, de mesmo significado, para descrever a situação, transitivamente. O fato de os adultos a sua volta não utilizarem quake como transitivo pouco importa - eles também não dizem que não se pode fazer isso.

Já uma criança com uma teoria mais restritiva da relação entre sintaxe e semântica, não se deixaria levar pela semelhança de significado entre os dois verbos. Ela saberia que a diferença de transitividade entre eles deve ser resolvida por meio de uma simples evidência distribucional: na fala do adulto, shake coocorre com um objeto direto, e quake não, embora ambos tenham significados muito semelhantes. As crianças reais parecem ser mais próximas desta última.


Arbitrariedades and all that por Emanuel Souza de Quadros

Do baú de notícias velhas, um texto publicado na Slate sobre o best-seller do jornalista Harry Mount sobre a língua latina. No texto, Emily Wilson chama atenção para o título da edição norte-americana da obra: Carpe Diem: Put a little Latin in your life. No original britânico, o título é Amos, Amas, Amat … and All That. De acordo com ela, a mudança reflete algo sobre a posição do latim nas culturas norte-americana e britânica. Nesta, esperar-se-ia que pessoas razoavelmente educadas reconhecessem o paradigma latino, ao passo que, naquela, não se esperaria que muitos o fizessem.

Aqui a mudança teria que ser mais drástica. Numa eventual tradução do livro para o mercado brasileiro, a expressão Carpe Diem seria barrada pelo censor oficial da Língua Portuguesa. Tudo para nos defender da invasão imperialista da cultura romana. Também para lembrar seus eleitores de que eles não têm a menor competência para entender alguma dessas expressões estrangeiras que tanto "dificultam a comunicação do povo brasileiro" (Gazetaweb.com - Gazeta de Alagoas, 23/12/2007).

Compare preços de Carpe Diem: Put a little Latin in your life.


Não é para qualquer um… por Emanuel Souza de Quadros

Folha Online - Cotidiano - CCJ da Câmara aprova projeto que veta estrangeirismos - 13/12/2007

Vai dizer. O deputado Aldo Rebelo deve ter muito tempo sobrando e um profundo descrédito na inteligência do povo que o elegeu.

Millôr Fernandes já disse tudo:

"Pera aí: estava em sua proposta de governo que ele tinha autoridade para interferir no que eu falo, escrevo ou pinto em minha tabuleta? Ele sabe, literalmente, do que está falando? Quanta idioletice!" (no caderno Mais! da Folha de S. Paulo, de 27 de agosto de 2000).


Lingüistas na telona por Emanuel Souza de Quadros

The Linguists está na lista dos filmes que serão exibidos no Sundance Film Festival de 2008! O filme mostra o grande trabalho de David Harrison e Greg Anderson, lingüistas que viajam pelo mundo documentando línguas em vias de extinção.

O trailer pode ser visto em http://www.thelinguists.com.


Biolinguistics Vol. 1 por Emanuel Souza de Quadros

Saiu o primeiríssimo volume da nova revista eletrônica Biolinguistics. A publicação é dedicada "aos estudos teóricos que encaram seriamente as fundações biológicas da linguagem humana". Apenas uma edição da revista foi lançada nesse ano, mas a idéia é publicar quatro edições anuais a partir de 2008. Todo o conteúdo é de acesso livre, como a ciência deve ser. A única exigência é que seja feito um registro (gratuito…) no site.

Entre várias outras coisas,  o volume de 2007 traz os seguintes artigos.

Of Minds and Language Abstract PDF
Noam Chomsky 009-027
Computing Long-Distance Dependencies in Vowel Harmony Abstract PDF
Frédéric Mailhot, Charles Reiss 028-048
Categorical Acquisition: Parameter-Setting in Universal Grammar Abstract PDF
Rosalind Thornton, Graciela Tesan 049-098
Clarifying the Notion “Parameter” Abstract PDF
Juan Uriagereka


Antes tarde do que mais tarde por Emanuel Souza de Quadros

Para quem ainda não viu, saiu em agosto o número 9 da Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL, sobre Sociolingüística. Essa edição inclui, entre outras coisas, uma entrevista com William Labov e um artigo de minha co-autoria sobre a influência do domínio da escrita na realização de fenômenos fonológicos variáveis. A proxima edição terá como tema Sintaxe Formal (GB, P&P, Minimalismo, HPSG, TAGs, LFG, OT…). A data limite para submissão de trabalhos é 5 de dezembro de 2007.


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