Language Bar

19/06/2006

The Language “Switch” por César Gonzalez

Pesquisadores da Universidade de Kyoto encontraram a região no cérebro que é responsável por mudar a língua que o poliglota está utilizando. Isso é no mínimo interessante, é como se tivéssemos uma chave em nossa mente que desliga uma gramática e liga outra. Parece, entretanto, que nosso sistema de mudança lingüística não é lá muito eficiente, pois, de acordo com um dos participantes da pesquisa, foram documentados casos em que os falantes de diversas línguas acabavam por misturá-las, assim a pesquisa pode agora ajudar a explicar o porquê. Mas, enfim, é o cérebro humano. Qualquer descoberta é importante, afinal, sabemos muito pouco sobre ele.

Interessante lembrar do fenômeno de Code-switch, no qual o falante de determinada língua muda a língua em que está falando no meio de seu discurso, ou insere palavras de outra língua no seu discurso. Comum em países em que se tem muitos imigrantes, como a França, em que boa parte dos imigrantes do norte da África "faz code-switch" entre o francês e suas línguas maternas. Em algumas culturas esse fenômeno é sinal de status social, em outras é mau sinal falar com code-switch.

Felizmente, isso pode nos levar a descobertas maiores. Robert Kluender (da Universidade da Califórnia em San Diego) já se manifestou dizendo que ainda não se pode afirmar nada, pois "este é um aspecto muito limitado do processamento da linguagem" e deve-se pesquisar mais. A pergunta de Robert Kluender é válida, uma vez que o experimento foi feito com palavras ele se pergunta: será que a descoberta vale para o nível da sentença? Se não vale, onde é processada a informação das sentenças? Espero que essa pesquisa dê bons frutos e que eu possa escrever sobre eles.

16/06/2006

Sobre Neurolingüística por Tiago Martins

Cérebro humano

Estava lendo algumas coisas pela Internet sobre Neurolingüística e encontrei alguns conceitos bem interessantes, dignos de nota. Bem, aparentemente a Neurolingüística é algo bastante novo, foi surgir nos cursos de graduação (Letras) somente em meados dos anos 80 e ainda assim, acho que essa disciplina só está no currículo da Unicamp. Segundo a Wikipédia, a Neurolingüística começou em meados do século XIX pelas mãos de Paul Broca. Um alemão chamado Carl Wernicke também estaria infiltrado nesses estudos. Eles começaram estudando e descrevendo a afasia, que é um distúrbio de linguagem causado por uma lesão grave, mas nem sempre, às vezes algumas crianças já nascem com tal problema. Depois da morte de pacientes afásicos eles faziam exames post-mortem para descobrir quais partes do cérebro haviam sido afetadas. Muito interessante, super Mary Shelley. 

Atualmente a Neurolingüística (NL, daqui pra frente) evoluiu muito e é um tanto óbvio que haja divergências entre autores quanto ao seu objeto de estudo. Isso parece ocorrer bastante dentro da Lingüística. Segundo um tal de Caplan, a NL estuda relações entre o cérebro e a linguagem, investigando determinadas estruturas cerebrais com distúrbios, mas não só distúrbios, também aspectos específicos e normais da linguagem.

"Há quem atribua, como Bouton (1984) ou Lecours & Lhermitte (1979) à publicação, em 1939, do livro Le Syndrome de Désintégration Phonétique, de Alajouanine, Ombredane (neurologistas) e Durand (foneticista) o início da Neurolingüística. Mas há também os que, igualmente de forma tradicional, consideram a Neurolingüística um ramo (Luria, 1981, 1976) ou um subconjunto (Hécaen, 1972) da Neuropsicologia, o que significa defini-la como o campo de estudo das perturbações verbais decorrentes de lesões cerebrais. Essa definição, contudo, é apenas uma pálida caracterização de suas potencialidades teóricas e metodológicas". (tirado do site do LABONE - UNICAMP)

Esses estudos são o outro lado da proposta. Chomsky sugere que podemos ir a fundo nas investigações do cérebro, mas também, ir a fundo nas investigações sobre as gramáticas particulares de cada língua. A NL parece estudar a primeira opção.

Isso é pouco, mas já dá pra se ter uma idéia de como esse campo é interessante. Aliás, são poucas as pessoas que não tem uma certa curiosidade sobre o cérebro e sobre a linguagem. Esse número aumenta dentre as pessoas que estudam lingüística.

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