Language Bar

22/04/2008

The World Atlas of Language Structures por Emanuel Souza de Quadros

Ontem foi o lançamento oficial da versão online do WALS (The World Atlas of Language Structures). Estão disponíveis no site todos os dados e textos analíticos do atlas publicado pela Oxford University Press, que custa míseros 1.433 reais e 70 centavos na Livraria Cultura (quer comprar?). Pois é, disponíveis online, de graça!

De acordo com o site, o atlas possui dados de mais de 2500 línguas. As pesquisas podem ser feitas por característica estrutural, por língua, por referência ou por autor. Como exemplo, podemos ver o mapa da distribuição de línguas que possuem contraste entre vogais nasais, em oposição às que não possuem. Para ver o nome da língua e as fontes de onde as informações foram retiradas, basta clicar no símbolo relevante no mapa. Cada característica estrutural é também acompanhada por um texto que traz as definições e distinções necessárias.

Fun!

05/08/2006

ReVEL - Fonética e Fonologia! por Emanuel Souza de Quadros

Para quem ainda não conhece, a Revista Virtual de Estudos da Linguagem (ReVEL) é uma publicação eletrônica, semestral. Desde 2003, a revista vem, a cada edição, divulgando trabalhos em temas específicos dos estudos lingüísticos, como Aquisição da Linguagem, Lingüística Computacional, Estudos do Texto e do Discurso, entre outros. A edição deste semestre, que acabou de ser lançada, é sobre Fonética e Fonologia e traz, além de 22 artigos e 3 resenhas de livros da área, entrevistas com a prof. Dra. Leda Bisol e com o prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari. Vale a pena dar uma olhada - até porque é de graça (não dói nada!)

Ah, e quem quiser ter seu artigo publicado na próxima edição, que terá como temas Semântica, Pragmática e Filosofia da Linguagem, tem até o dia 5 de dezembro deste ano para enviá-lo.

26/06/2006

Kaingang (Brasil) por Emanuel Souza de Quadros

Mais uma da aula de fonética. Na aula de hoje, nossa colega Rita notou que nos dados do Kaingang com que estávamos trabalhando, as glosas para [ki] e [mĩ] eram idênticas: ‘dentro’. Logo imaginamos que deveria haver alguma diferença de significado ou de uso, mesmo que sutil, para que as duas formas pudessem existir na língua com o sentido básico de ‘dentro’. Na hora eu lembrei do pequeno dicionário de Kaingang que eu baixei há um bom tempo atrás só por curiosidade. "Ei! Agora ele pode ser útil!", pensei, mesmo que novamente seja para matar uma curiosidade!

De fato há uma diferença: é que junto ao sentido de ‘dentro’, em [mĩ] também há uma idéia de movimento. O dicionário traz um exemplo de sentença para cada uma das duas palavras. Fico devendo explicações detalhadas de cada elemento da sentença; talvez um dia, quando eu aprender (se aprender) mais sobre a gramática do Kaingang… Mas já dá pra ter uma idéia dessa diferença:

(1)    Ag mỹ ki nỹtĩ?
        ‘Será que estão aqui?’

(2)    Ẽpỹ ẽn hã sóg
        ‘Vou passar por aquela roça’

Dá pra ver que em (1) há uma idéia de estar em, estar dentro de algum lugar (’aqui’). Em (2), há a mesma idéia, acrescida do sentido de movimento. Supondo que a tradução trazida pelo dicionário esteja correta, me parece que ki também tem a idéia de ‘aqui’. Mas isso é pura especulação. Pensei isso, porque o significado trazido pelo dicionário para ag é ‘eles’; para mỹ, ‘Será que?’; e para nỹtĩ, ‘existir’. Sobrou para o ki que já tem uma idéia de lugar. Mas não levem isso a sério, é claro. Alguém aí sabe Kaingang e pode esclarecer melhor isso?!

Ou melhor ainda, baixem o dicionário e brinquem também!

P.S.: A mesma Rita também fez um comentário bem interessante, num post meu já esquecido, sobre as duas Neurolingüísticas e a confusão entre elas.

22/06/2006

enga (Papua Nova Guiné) por Paulo H

Na última aula de fonética com a Cláudia Brescancini, vimos dados de uma língua da Papua Nova Guiné, chamada enga (tem também outros nomes, mas não interessa agora). Os dados chamaram minha atenção (também a do Emanuel) pois todas as vogais finais das palavras eram desvozeadas como [’ipU], transcrito com o alfabeto do PIKE. Fui atrás pra ver o que descobria e encontrei o seguinte: http://pnglanguages.org/png/LangResource/0000091/Enga.pdf . Dentre outras coisas (da fonologia do enga), aí se diz que todas as vogais finais são desvozeadas. Isso é realmente interessante. Além disso, eles praticamente não têm (fonologicamente) consoantes vozeadas. 

Viram como é importante ter alguém descrevendo essas línguas pelo mundo? Assim a gente pode aprender sons "estranhos" (o que é muito legal) e ainda por cima usar como exemplo de processos nas línguas naturais.  

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