Language Bar

June 14, 2007

Mais um argumento a favor do Inatismo por César Gonzalez

Um estudo recente mostra que a bebês podem diferenciar línguas através de estímulos visuais como os movimentos faciais envolvidos na fala. O estudo foi feito com bebês monolíngües e bilíngües Inglês-Francês canadenses. A NewScientist pergunta se nós adultos conseguimos fazer o mesmo: tentem os vídeos alfa e beta

Os pesquisadores testaram os bebês através de vídeos mudos de adultos falando em Inglês e Francês. Os bebês assistiam ao vídeo em apenas uma das línguas - por exemplo,  Inglês - até o momento em que se desinteressassem. Quando isso acontecesse, o falante adulto que estava sendo filmado substituía a língua que estava utilizando - no nosso exemplo, para o Francês. Esperava-se que, se os bebês notassem a diferença, eles voltassem a prestar atenção no vídeo.

Os resultados mostraram que os bebês percebiam a mudança de código lingüístico. Bebês de 4 e 6 meses monolíngües percebiam a diferença, tanto quanto seus pares bilíngües. Entretanto, aos 8 meses, apenas os bebês bilíngües conseguiam diferenciar as línguas. Vejamos os gráficos abaixo:

 

Visual Language Discrimination Graphics 

O gráfico A mostra bebês monolíngües frente à mudança no código lingüístico. Linha pontilhadas representam o grupo de controle - para o qual não foi apresentado mudança Inglês-Francês. O grupo de controle mostra uma gradativa queda na atenção ao vídeo. Já o grupo de teste mostra aumento no tempo de atenção ao vídeo.

O gráfico B mostra o mesmo em relação aos bebês de 8 meses, com uma comparação entre os bilíngües (pontilhados) e monolíngües (linhas não pontilhadas).

Um dos pontos interessantes desse estudo é o fato de trazer mais um argumento a favor de uma linguagem inata. Os bebês chegam ao mundo preparados para fazer uso de diferentes técnicas para adquirir uma língua. Por que não aceitar que a informação facial pode ser mais uma dessas?

Resposta da pergunta da NewScientist: vídeo alfa: Francês; vídeo beta: Inglês. 

June 9, 2007

A genética e a distribuição das línguas tonais - Dediu & Ladd (2007) por Emanuel Souza de Quadros

Dado que, de acordo com o que acreditamos, qualquer ser humano, em idade adequada, é capaz de adquirir qualquer língua do mundo, não esperamos encontrar qualquer dependência entre uma determinada característica gramatical e a ocorrência de um ou mais genes que não estejam presentes em todos os seres humanos. Acontece que, ultimamente, revistas internacionais, como a Scientific American, têm dado destaque para uma suposta relação deste tipo, descoberta por dois lingüistas da Universidade de Edimburgo, Dan Dediu e Robert Ladd.

Na verdade, apesar do exagero da imprensa, o que os lingüistas encontraram em seu estudo não é uma dependência, no sentido de que a aparição de uma característica gramatical seja determinada por uma certa configuração genética. O que encontraram é uma forte correlação entre a freqüência populacional das variantes de dois genes ligados ao tamanho do cérebro, ASPM e Microcephalin, e a distribuição das línguas tonais. Estas se encontram em menor número nas regiões em que as variantes recentes dos genes, com idades estimadas de 6 mil e 37 mil anos, respectivamente, são mais freqüentes. Onde essa freqüência é baixa, predominando as variantes mais antigas desses genes, é alto o número de línguas tonais. É o que mostra o gráfico abaixo, adaptado de Dediu & Ladd (2007):


Gráfico 1 - As freqüências populacionais das variantes novas dos genes ASPM e Microcephalin são indicadas nos eixos horizontal e vertical, respectivamente.Quadrados preenchidos representam línguas não-tonais; quadrados não-preenchidos representam línguas tonais.

Na área inferior esquerda do gráfico, observamos apenas línguas tonais, agrupadas em áreas em que há baixa freqüência de ocorrência das novas variantes de ambos os genes. Em contraste, na área superior direita, temos línguas não-tonais, em áreas em que a freqüência das novas variantes na população é alta. Qualquer conclusão tirada dessas correlações deve soar precipitada, dado o pouco que se sabe sobre a natureza dos genes em questão. Os autores sugerem a possibilidade de que haja uma influência genética na distribuição das línguas tonais e não-tonais e de que isto se dê em três etapas: (1) no nível do indivíduo, as novas variantes dos genes em questão teriam trazido pequenas mudanças nas estruturas e funções cerebrais; (2) essas alterações influenciariam sutilmente a aquisição da linguagem e/ou a maneira como processamos os tons; e (3) a transmissão cultural das línguas através das gerações se encarregaria de amplificar as tendências resultantes do item anterior, gerando as diferenças tipológicas entre as línguas.

O caminho proposto, apesar de propor uma ligação indireta entre a freqüência das variantes dos dois genes e a de uma característica gramatical, é conciliável com a idéia de que todos os seres humanos são capazes de aprender qualquer língua do mundo. Sabemos que há tanto pessoas com as variantes antigas dos dois genes em regiões dominadas por línguas não-tonais como pessoas com as variantes novas em regiões dominadas por línguas tonais; em ambos os casos, os indivíduos são capazes de adquirir sua língua materna sem dificuldades, apesar de não se enquadrarem na correlação proposta. Podemos pensar, no entanto, em alguma interferência sutil desses genes no modo como se dá a aquisição e/ou o processamento dos tons, que, claro, não é perceptível no nível do indivíduo ou da língua sincrônica. As tendências de mudança decorrentes dessas pequenas interferências só se tornariam perceptíveis após serem amplificadas por várias gerações de transmissão lingüística, a ponto de gerarem as diferenças tipológicas que encontramos no uso dos tons pelas línguas do mundo.

As indicações do estudo podem se mostrar bastante interessantes, mas, como sabemos, correlação não é causalidade. Digo isso porque a imprensa costuma exagerar quando divulga um estudo como esse, dando a entender que as línguas não-tonais estão diretamente ligadas à aparição das novas variantes desses genes. É o caso da Scientific American, revista por que tomei conhecimento do trabalho. Devo ter ficado mais empolgado com os resultados do estudo que os editores da revista, mas é preciso cautela. O padrão observado no gráfico pode muito bem ser fruto do acaso, de coincidências históricas entre as mudanças lingüísticas e a deriva genética. Pode mesmo ser coincidência que a distribuição das línguas não-tonais correlacione-se com a distribuição das novas variantes dos dois genes, assim como pode não ser. O estudo apenas levanta essa questão e sugere uma possível relação causal, ainda que indireta, entre as duas distribuições. Falta entender mais claramente a natureza e as funções desses dois genes e de suas novas variantes. Minha esperança é de que, com uma compreensão maior de como a constituição genética influencia nosso comportamento e nosso desenvolvimento cognitivo, ligações como essa possam ser mais seguramente estabelecidas em pesquisas futuras.

June 8, 2007

Morphology Online por Emanuel Souza de Quadros

Dando uma olhada nas notícias velhas da LINGUIST List, cruzei com a chamada de uma revista, MorphOn, que pode ser interessante. Trata-se de uma revista eletrônica, como a nossa conhecida ReVEL, só que dedicada apenas à Morfologia! Embora exista desde 2005 (e eu não sabia…), ela ainda conta com poucas publicações. Espero que isso mude. A iniciativa de proporcionar um espaço para que morfólogos publiquem seus artigos online e de oferecer livre-acesso a esses textos é ótima; vê-la sendo desperdiçada seria lamentável.

A chamada que consta no site:

Publish your Paper with MorphOn
If you’d like to publish your paper on Morphology (phenomena, grammar, practical/ theoretical issues; or morphology in a wider setting, i.e. morphophonology, morphosyntax, morphosemantics, morphopragmatics, language acquisition, word recognition, psycholinguistics, clinical linguistics, diachronic problems or morphological sketches of individual languages), please email it to us at : MorphOn@MorphologyOnline.com. Please submit it (with an abstract) as WORD and PDF file attachments (one of them being anonymous). It will be reviewed by our advisory panel of renowned linguists and if accepted, it will appear online straight off (without any charge). The moral copyright on the article(s) you submit is, of course, totally yours as it/they will bear your name as the author, affiliation, email address and a date.

June 7, 2007

Carta a Chomsky e Lasnik por Emanuel Souza de Quadros

Mais um capítulo da história da Sintaxe vem a público. A famosa carta de Jean-Roger Vergnaud a Chomsky/Lasnik, de 1977, indisponível por um longo tempo, ainda que famosa dentro da área, tornou-se disponível recentemente no LingBuzz. O texto influenciou grande parte da teoria de Princípios e Parâmetros, trazendo as primeiras idéias sobre a noção de Caso estrutural em sintaxe gerativa.

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