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April 17, 2007

Pirahã e a Gramática Universal por Emanuel Souza de Quadros

Há uma recente comoção na lingüística provocada pelos estudos de Daniel Everett sobre o Pirahã, uma língua falada às margens do rio Maici, que fica no município de Humaitá, no estado do Amazonas. Para o lingüista, essa língua representa um grande desafio à lingüística gerativa. No artigo "Cultural Constraints on Grammar and Cognition in Pirahã: Another Look at the Design Features of Human Language", publicado em outubro de 2005, no periódico Current Anthropology, Everett arrola algumas lacunas e fatos gramaticais que seriam característicos da língua; entre eles estão: a ausência de números ou qualquer termo quantificador, de palavras para designar cores, e, de forma central, a ausência de recursividade, uma propriedade central da linguagem humana, de acordo com Hauser, Chomsky e Fitch (2002). Além disso, o autor cita algumas características excepcionais da cultura Pirahã, como a ausência de ficção, mitos de criação e de arte.

Everett vai além da descrição dessas peculiaridades dos Pirahã, argumentando que todas elas derivam de uma única restrição cultural, o Princípio da Experiência Imediata (PIE): "a comunicação é restrita à experiência imediata dos interlocutores", na formulação do artigo da Current Anthropology. Dessa forma, teríamos um princípio cultural determinando, além de outros fatos culturais, aspectos gramaticais da língua. Para o lingüista, a observação de que aspectos centrais da gramática são diretamente afetados pela cultura que a cerca representa um grande desafio à noção de um módulo de linguagem autônomo e biologicamente determinado.

Uma grande cobertura da imprensa seguiu-se à publicação. Nada de inesperado: uma cultura exótica, uma língua com propriedades tidas como estranhas às de qualquer outra conhecida até então… notícia! Outra conseqüência das afirmações de Everett foi o crescimento do interesse da comunidade científica pelo Pirahã, incluindo algumas reações simpáticas e outras adversas ao trabalho do lingüista. Entre as críticas, encontra-se um artigo recente, "Pirahã Exceptionality: a Reassessment", publicado no Lingbuzz por Andrew Nevins, da Universidade de Harvard, David Pesetsky, do MIT, e Cilene Rodrigues, da Unicamp. Nesse artigo, os autores questionam a descrição de Everett dos fatos do Pirahã, mostrando evidências convincentes da existência de quantificadores, de palavras para designar cores, de recursividade, etc., avaliando sistematicamente as lacunas gramaticais propostas no artigo da Current Anthropology. A descrição de Everett da cultura Pirahã também é questionada, com base em outros trabalhos antropológicos que atestam a existência de ficção, mitos de criação e de arte. A análise lingüística dos autores desexoticiza a gramática da língua, mostrando que ela não representa para a hipótese da Gramática Universal nenhum desafio maior que o representado por qualquer das línguas já bastante conhecidas do mundo.

É claro que Everett não ficaria silencioso diante dessa réplica. A resposta, "Cultural Constraints on Grammar in Pirahã: A Reply to Nevins, Pesetsky e Rodrigues", que saiu há poucas semanas, reafirma sua posição quanto à excepcionalidade de algumas características da língua em questão, supostamente derivados de uma restrição cultural, questionando a interpretação dos fatos dada pelos três autores.

Quanto a mim, independente de qual se mostrar a descrição correta dos dados do Pirahã, as conclusões teóricas de Everett parecem infundadas sob um ponto de vista lógico. Em nenhum momento, o autor deixa clara qual é a conexão entre a suposta restrição cultural e as construções gramaticais que ele diz serem bloqueadas por ela. O status dessa "predição" não é precisado. Nos dois trabalhos referidos, o lingüista cita, por exemplo, a falta de recursividade como decorrente do PIE. Não há, no entanto, nenhuma razão para esperar que uma restrição cultural como "a comunicação é restrita à experiência imediata dos interlocutores" bloqueie construções recursivas como a subordinação. Imaginemos uma língua que estivesse mesmo sujeita a tal princípio. Por que haveria bloqueio de uma frase como "A menina que está sentada na cadeira que eu adoro está me olhando fixamente"? A língua poderia muito bem permitir frases como essa, contendo estruturas recursivas, que retratam experiências imediatas.

Outras supostas consequências do PIE parecem ser ainda menos relacionadas a esse princípio, e não há uma boa explicação do autor sobre como essa restrição funcionaria nesses casos. A suposta ausência de palavras para designar cores, também questionada por Nevins, Pesetsky e Rodrigues, com base na lista em (1), abaixo, não parece poder ser explicada por um princípio que exige referência à experiência imediata dos interlocutores - afinal, é justamente aí que as cores se manifestam!

(1) Cores em Pirahã

biísi ‘amarelo’, ‘laranja’, ‘vermelho’

xahoasai ‘azul’, ‘verde’

kobiaí ‘branco’

kopaíai ‘preto’

tixohói ‘roxo’

tioái ‘escuro’

Ademais, acreditar na hipótese de uma Gramática Universal, não implica, de modo algum, acreditar que o produto final, a língua, não é influenciado pela cultura circundante. Everett está correto quando diz que essa hipótese não prediz a influência da cultura sobre a língua, mas está errado ao insinuar que, por isso, ela é inadequada. Isso porque ela também não prediz o contrário - e não há razões para esperar que ela o fizesse. Trata-se de uma hipótese sobre uma faculdade da linguagem, geneticamente determinada, que os indivíduos da espécie humana trazem consigo em seu estado inicial. A interação dessa faculdade com outros sistemas cognitivos, que medeiam, por sua vez, a relação do indivíduo com a cultura é um outro problema. Se essa interação produz um estado final que, além de possuir propriedades determinadas pela Gramática Universal, apresenta características bastante ligadas ao meio sócio-cultural, não se pode concluir, daí, que a teoria que especifica o estado inicial está errada por não levar em conta a existência desses outros fatores que interagiram com o estado inicial na geração do produto final. Seria como dizer que uma especificação do estado inicial, geneticamente determinado, do corpo de um ser humano, é inadequada por não levar em conta o número e o formato das tatuagens que o indivíduo fará ao longo de sua vida. É mais ou menos o que diz Tecumseh Fitch, numa passagem trazida por um artigo da Folha Online:

…é um truísmo que a cultura molda a linguagem. É por isso que o brasileiro tem a palavra samba e o escocês tem a palavra haggis. E daí? As implicações disso para a Gramática Universal são nulas.

Conceitos Básicos - Morfologia por Tiago Martins

Com saudades de ler os primeiros textos sobre Morfologia e seguindo a idéia do Emanuel de fazer um post com "conceitos básicos", escrevo aqui algo para  responder a pergunta de um possível internauta  que digite no Google: O que é Morfologia?

            E ela é - segundo qualquer texto introdutório sobre o assunto - o estudo da estrutura, formação e categorização dos vocábulos. Se o caso for dar uma resposta  menos ligada à lingüística e mais relacionada com a gramática normativa, a morfologia então é definida como o componente gramatical que trata da estrutura interna das palavras.
            Mas o que é a palavra? E isso é outro ponto que irá estar presente em qualquer livro introdutório sobre o assunto. Não há como falar sobre Morfologia sem termos bem claramente o conceito de palavra.  
            Da perspectiva fonológica, a palavra é uma unidade acentual, um conjunto marcado por um só acento tônico. Sintaticamente, temos que uma seqüência de sons só pode ser definida como palavra se puder ser usada como resposta mínima a uma pergunta ou se puder ser usada em várias posições sintáticas (cf. Maria Filomena Spatti Sandalo, em Introdução à Lingüística). Essa definição de palavra através da Sintaxe é bastante discutível, mas é um meio fácil de explicar - por essa ótica - o conceito.  
            A definição morfológica de palavra é que palavra pode ser definida pela quantidade de raízes que possui. Ainda temos a definição semântica que nos diz que palavra é aquilo que possui apenas um significado. Mas é uma definição frágil, pois podemos contrapor dizendo que em fabricante e aquele que fabrica temos apenas um significado e sabemos intuitivamente que apenas o primeiro exemplo é uma palavra.
            É um pouco complexo de se definir “palavra”, mas parece que um conceito para tal não se pode dar isoladamente, tem de se ter uma concepção de palavra em níveis morfológicos, sintáticos, semânticos e fonológicos.
            Definindo palavra então, temos a unidade máxima da Morfologia.
Qual é sua unidade mínima?
 
            As unidades mínimas da morfologia são os elementos que compõe uma palavra. O conhecimento desses elementos é o que nos permite entender uma palavra que nunca ouvimos antes. Se nunca ouvimos Nacionalização, podemos descobrir o que significa se soubermos o significado de nação e o significado dos elementos que derivam novas palavras no português, como -al, -izar e -ção.    
 

            A unidade mínima e o objeto de análise da Morfologia é o Morfema, definido como a menor unidade dentro de uma palavra que carrega um significado. Em (Kehdi, 1989) há uma comparação com a fonologia: Morfemas são significativos, enquanto os fonemas são distintivos.

Estudo do Componente Morfológico:

Os estudos morfológicos podem ser divididos em quatro correntes: A corrente PALAVRA e PARADIGMA, puramente descritivista; A corrente ligada ao historicismo, sem grandes evoluções; A corrente estruturalista de ITEM e ARRANJO e a corrente gerativista, chamada de ITEM e PROCESSO. O foco deste post está ligado a estas duas últimas correntes.  
 
Estruturalismo (Escola de Item e Arranjo)

            A partir do estruturalismo europeu com Saussure, passa-se a estudar a língua de uma perspectiva sincrônica. Paralelo à vertente européia surge o estruturalismo norte-americano com Edward Sapir e Leonard Bloomfield. Os lingüistas dessa época passaram a descrever línguas indígenas e assim chegaram ao conceito de MORFEMA.
            A escola é assim chamada, pois se baseava no elemento (ITEM) e na sua distribuição na língua (ARRANJO).

            Segundo (Rocha 1998), a visão estruturalista desenvolveu com bastante rigor as técnicas de depreensão dos morfemas. Em síntese, diz ele, o estruturalismo se preocupou basicamente com duas coisas:

a) fazer a segmentação dos morfemas;

b) proceder à classificação dos morfemas;

            A morfologia estruturalista se aproxima bastante da morfologia da Gramática normativa. Como já foi citado, é uma parte da gramática que trata da estrutura interna das palavras, que – complementado – descreve sua formação e estrutura.  
            Nessa morfologia, diferente da morfologia gerativa, a preocupação era em separar e classificar os morfemas de uma língua, como veremos agora.
 
Unidades Mínimas Significativas:
 
            A palavra é um elemento de constituição complexa cuja análise poderá conduzir a uma base mais rigorosa (cf. Kehdi).
            Para chegarmos a essa base estabeleceremos que:

  1. As comparações devem ser feitas por pares.
  2. Cada par deve apresentar UMA SÓ relação de semelhança e UMA SÓ relação de diferença.
  3. Os elementos destacados devem ter um valor significativo.

Falávamos

Falava

SEMELHANÇA: Falava.
DIFERENÇA: -mos.
 
-mos, é um elemento significativo, pois indica que a ação é expressa por um grupo de pessoas, incluindo o falante.
 
Falava

Fala
 
SEMELHANÇA: Fala.
DIFERENÇA: -va.
 
-va, indica pretérito imperfeito do indicativo.
 

A comparação com as outras formas do mesmo verbo nos conduz a interpretações corretas sobre a divisão dessa palavra em unidades mínimas significativas. Falava, falaremos, falariam, falasse, falaste e.t.c Isso nos indica que muito provavelmente a seja a vogal temática desta palavra. E que Fal-, seja o radical. 

Como se depreende um morfema?
É através da COMUTAÇÃO (ou substituição, segundo os lingüistas norte-americanos). Quando na comparação de pares mínimos a substituição de um traço por outro acarreta uma mudança de significado, realizamos uma COMUTAÇÂO.
 
Em AMAMOS substituindo por AMAIS obtém-se uma mudança de significado.
No primeiro caso temos 1a. pessoa do plural e no segundo caso temos 2a. pessoa do plural. Foi feita uma COMUTAÇÃO desse par mínimo e como obtivemos diferença de significado temos dois morfemas /mos/ e /is/.                 

A Dupla Articulação da Linguagem:
           Martinet estabeleceu a Teoria da Dupla Articulação da Linguagem em que a PRIMEIRA ARTICULAÇÃO corresponde aos Monemas e a SEGUNDA ARTICULAÇÃO corresponde aos Fonemas. 
Segundo esta teoria, as unidades mínimas significativas são os MONEMAS.
 
            Os Morfemas de valor lexical (adjetivos, substantivos) e que pertencem a um inventário aberto são os LEXEMAS ou SEMANTEMAS, porque encerram em cada vocábulo o elemento semântico básico.
            Os Morfemas de valor gramatical (afixos, preposições) e que pertencem a um inventário fechado são os MORFEMAS.

Alomorfia: 
            Assim como os fonemas, na morfologia também temos casos de DISTRIBUIÇÃO COMPLEMENTAR: onde utilizamos uma variante, não podemos utilizar outra.
            Em INFELIZ, por exemplo, a comparação com FELIZ nos faz depreender o morfema –in. Esse mesmo morfema realiza-se como i - antes de radicais iniciados por L-, M- e R-> Ilegal, Imoral, Irreal. Essas diferentes realizações são designadas como ALOMORFES.
            Exemplo: MIM realiza-se como /mim/ após qualquer preposição diferente de /com/, seguindo de COM temos a variante /migo/.
 
            No adjetivo AMÁVEL, depreendemos o MORFEMA –vel. Esse morfema se realiza como –bil quando antecede morfemas iniciados por vogal:
AMA –BIL –IDADE. O significado é o mesmo, ou seja, -bil é alomorfe de -vel.  
 
            A existência de diferentes alomorfes para um mesmo morfema remete-nos ao problema da escolha de um deles para representar o conjunto. O alomorfe selecionado recebe o nome de FORMA BÁSICA.  

Critérios para se Estabelecer a Forma Básica: 
 
a) CRITÉRIO DISTRIBUCIONAL:
Dentre as variantes existentes é escolhida como forma básica a mais freqüente. No caso de MIM/MIGO, mim ocorre em um maior número de casos na língua, logo é selecionado como a forma mais básica.
              
b) CRITÉRIO DA REGULARIDADE DE FORMAÇÃO:
Usa-se este critério quando os alomorfes apresentam a mesma freqüência. Por exemplo, o futuro do presente do indicativo é expresso por –rá- e –re- que ocorrem três vezes cada um. (Amarás, amará, amarão) e (Amarei, Amaremos, Amareis). De acordo com o critério estatístico os morfemas indicativos de tempo e modo apresentam todos formas básicas em –a e possuem variantes em –e. Logo, -rá é considerado como FORMA BÁSICA.  
 
c)CRITÉRIO DE ISOLAMENTO:
Nos casos em que uma das variantes ocorre isoladamente, enquanto outra só aparece atrelada a um novo morfema, é a primeira que deve ser forma básica.
CHAPÉU possui a variante CHAPEL-, mas esta variante só é utilizada quando seguida de um morfema iniciado por vogal: Chapelaria. Então a forma básica deve ser a primeira. 
 
Tipos de Morfemas:
 
RADICAL: É o elemento irredutível e comum às palavras de uma mesma família.  Ex: Ferro/Ferradura/Ferramenta. 
 
AFIXOS: São os morfemas que se anexam ao radical para mudar-lhe o sentido (fazer/desfazer) ou para acrescentar uma idéia secundária. (livro/livreco).
 
            As principais propriedades dos prefixos e sufixos é se anexarem ao radical para mudar seu sentido ou acrescentar uma idéia secundária, também modificam a classe de um vocábulo. A presença de um prefixo no radical não modifica sua classe, mas a presença de um sufixo modifica a classe gramatical de uma palavra.
 
DESINÊNCIAS: São os morfemas terminais de palavras variáveis. Servem para indicar as flexões de gênero e número (Desinências Nominais), e de Modo e Tempo, Número e Pessoa (Desinências Verbais). As desinências colocam a palavra na frase; são morfemas que não se pode dispensar, pois toda a forma verbal portuguesa está associada ás noções de tempo e modo e número e pessoa.  
 
DESINÊNCIAS DE GÊNERO: Exprime-se através de FLEXÃO (garoto/garota), de DERIVAÇÃO (conde/condessa) ou de HETERONÍMIA (bode/cabra).
>> Mattoso propõe que a flexão de masculino se opõe em 0 ao feminino em –a, ao contrário do que prevê a Gramática Normativa. O argumento é que não podemos considerar –o como marca de masculino simplesmente por se opor à –a, porquê esse mesmo raciocínio nos obrigaria a considerar como masculino –e (Mestre/mestra). E não podemos considerar –e como masculino, pois temos exemplos como (a ponte). A solução é considerar o masculino como forma desprovida de flexão específica. Exemplo:
                  RADICAL       VT          DG      DN   
                   Menin    +    o   +       0  +   0
DESINÊNCIAS DE NÚMERO: A ausência de desinência para o singular permite-nos dizer que no referente ao número o singular é caracterizado pelo morfema zero. O plural é geralmente caracterizado por –s. Temos casos, palavras terminadas por consoantes em –r e –z, que a formação do plural em nomes como Mar e Cruz é em –es. Como: Mares e Cruzes. Pode-se explicar sincronicamente dizendo que nestas duas palavras foi acrescentado um alomorfe –es da desinência –s. De acordo com isso pessoas com menos escolarização diriam: dois pires e 1 pir. Ou podemos explicar que a desinência do plural é sempre –s, sem variantes, e em uma análise diacrônica dizer que o –e vem das formas *mare e *cruze. 
 
DESINÊNCIAS VERBAIS: Há dois tipos de desinências verbais; as que exprimem modo e tempo (DMT) e as que exprimem número e pessoa (DNP). As desinências modo temporais vêm antes das desinências número-pessoais, isso ocorre em português e em outros idiomas.
Exemplo: Desinência MT do presente do Indicativo.
Canto – CANT (Radical) + o (Vogal Temática) + 0 (DMT)
 
VOGAIS TEMÁTICAS NOMINAIS: As vogais temáticas nominais, em português, são –a, -e, -o. Assim, poderia haver confusão entre VT e DG, mas não há. Enquanto –o e –a desinenciais comutam com –a e –o para exprimir mudança de gênero (menino/menina), isso não ocorre com as vogais temáticas (livro e *livra), -o e –a temáticos não se associam às noções de masculino e feminino.
A vogal temática –o apresenta em alguns lugares a variação com –u. Por exemplo: Conceito/conceitual/conceituoso. 
Mar e Lar e Cruz, por ex, seriam atemáticos, já que –es é alomorfe.
 
VOGAIS TEMÁTICAS VERBAIS: São três, no português: -a (primeira conjugação) –e (segunda conjugação) –i (terceira conjugação). Pode-se identifica-las pelo infinitivo, são as vogais que antecedem o –r desinencial:
am-a-r,vender,partir. 
 
Gerativismo:
 
            O gerativismo de Noam Chomsky introduziu uma nova concepção nos estudos da linguagem. Dentro da abordagem gerativa, palavras são formadas por regras e/ou analisadas por regras de modo que o estabelecimento de unidades como morfemas e afixos é desnecessário.
            A idéia da teoria gerativa é que em vez de um léxico de afixos, a morfologia de uma língua deveria consistir em um conjunto de regras que descreveriam as modificações das formas existentes que estariam relacionadas com outras formas.
            A teoria gerativa responde perguntas que o estruturalismo não pode responder, como:
1)       Por que formamos novas palavras?
2)       Quando formamos novas palavras?
3)       Quando variamos uma mesma palavra e quando criamos uma nova?
4)       Existem palavras impossíveis?
                            
O objetivo de uma teoria morfológica, segundo SCALISE (1984:41) é o de definir as ‘novas palavras’ que os falantes podem formar, ou mais especificamente, as regras através das quais as palavras são formadas. 
 
Todas essas informações foram baseadas nos livros "Morfemas do Português" de Valter Kehdi e "Estruturas Morfológicas do Português" de Luis Carlos de Assis Rocha. Tais informações bem diretas e precisas, como costumam ser os textos bastante introdutórios. Kehdi, por exemplo, não problematiza várias questões que seriam dignas de uma maior discussão. Mas isso, acredito, basta para responder O que é Morfologia? E já fica a sugestão para que os outros autores do blog continuem com a série "Conceitos Básicos".   

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