Language Bar

January 31, 2007

Discussões sobre Lingüística por Paulo H

Vou escrever sobre algo que me incomoda de fato e tem me incomodado mais nesses últimos tempos. É sobre o que acontece quando pessoas estão discutindo Lingüística. O que sempre acontece. Acaba-se caindo num papo sobre Educação - devemos ou não ensinar norma culta? - e na velha "disputa" entre Lingüística e Gramática Tradicional (ou Normativa, pros mais nervosinhos).

Sinceramente, pessoas e pessoos, nós não temos mais o que fazer ou esse é o grande problema a ser discutido. Concordo que pra quem não tem a mínima noção de Lingüística esse assunto é o mais atraente, talvez seja essa a melhor forma de apresentar aquilo que fazemos ou queremos fazer, mas que é um saco quando algum colega teu puxa esse assunto, ah isso é. ("Mas e aí, meu velho", diz Fulano, "devo ou não devo levar o Celso Cunha pra sala de aula?"). Olha aqui, tchê, faz o que te der na telha, mas não me pergunta mais sobre isso.

Me abstenho em 99% das discussões do Orkut por esse motivo. Todas as comunidades sobre Lingüística poderiam muito bem se reduzir a uma com talvez apenas um tópico: O mesmo velho papo. Isso me faz perguntar, em conclusão: Esse é de fato o grande problema e por isso sempre caímos nele, como uma paixão mal resolvida?

4 Comments »

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  1. O problema Lingüística x Educação é um grande problema, e não acho que os lingüistas devam se abster. O assunto pode não ser o mais atraente, mas se o pessoal da lingüística “hard core” não se envolver, quem se envolverá? O pessoal que leu Marcos Bagno e cia. e pensa que aquilo é o que há para se saber sobre língua e é o que deve ser aplicado imediatamente nas escolas, sob pena de nossos alunos continuarem vivendo sobre a opressão da Gramática Tradicional, comedora de criancinhas!

    Ficou evidente em um dos meus posts, e nos comentários feitos a ele por mim e por Ricardo Silvestrin, que a) não queremos um ensino sem gramática tradicional e b) não queremos o ensino deficiente, com gramática tradicional, que temos hoje.

    A tarefa de pensar em qualquer alternativa de ensino que respeite a) e b) compete ao pessoal que se dedica ao estudo da linguagem humana. Afinal, pessoas que decidem como uma língua deve ser ensinada (com uma norma padrão ou não) deveriam saber como uma língua funciona. Quero acreditar que não há ninguém mais capacitado nessa área do que os próprios lingüistas.

    Agora, é verdade que o pessoal das comunidades de Lingüística do Orkut deveriam procurar algo mais interessante para fazer, ao invés de repetirem sempre o mesmo papo, com os mesmos argumentos… =P

    Comment by Emanuel Quadros — January 31, 2007 @ 22:42

  2. Também não acho que devemos nos abster. Minha xinga é com a repetição, como se faz com criancinha, que ouve 100 vezes a mesma música pra decorar. Acho que quando alguém da Lingüística hardcore fala sobre isso devemos prestar atenção de fato, porque é um momento positivamente raro: eis o fonólogo/morfólogo/sintálogo preocupado com a sociedade, como em época de eleição.
    Não gosto e me incomodo com gente que vive disso, como as pedagogas da FACED que vivem do mesmo velho papo. “Há muito mais entre o céu e a terra do que sonha tua vã pedagogia”.

    Comment by Paulo H — February 1, 2007 @ 06:58

  3. Mas o blog está a mil! Até março eu supero a preguiça e apareço.

    Comment by Tiago — February 3, 2007 @ 04:42

  4. O blog está a quinhentos: ainda faltam vocês hehe

    Comment by Emanuel Quadros — February 3, 2007 @ 13:29

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