A menina selvagem do Camboja
A notícia é velha, já tem mais de uma semana, mas ainda não foi comentada por aqui. É o caso de mais uma "criança selvagem", que foi encontrada no nordeste do Camboja. A moça foi encontrada após ter, aparentemente, vivido por 19 anos na selva.
Aparentemente, porque ainda não se sabe bem qual sua identidade. A versão corrente é de que se trata de Rochom P’ngieng, uma menina que se perdeu aos oito anos, com sua irmã de seis, que não foi encontrada. É a história aceita, porque o policial Ksor Lu Long a reconheceu como sua filha. Mas ainda há um certo mistério quanto a origem da moça, já que os supostos pais, o policial e sua mulher, recentemente se recusaram a participar de um teste de DNA, que pudesse confirmar a paternidade. Mais suspeitas surgiram após relatos de que um homem nu, portando um facão, fora avistado junto à mulher, na selva. Ela possui marcas no braço, sugerindo ter sido mantida presa.
A solução do mistério acerca de sua verdadeira história fica mais distante, porque, como comumente acontece nesses casos, a mulher encontrada não fala nenhuma língua, não podendo, portanto, relatar o que lhe aconteceu. Esses fatos são geralmente explicados pela falta de contato com adultos falantes de alguma língua durante o período normal de aquisição, devido ao isolamento dessas crianças. São, também, usados como evidência para a hipótese do período crítico na aquisição da linguagem, pois não há aquisição normal de nenhuma língua, após esses indivíduos terem sido reintegrados à sociedade, na idade adulta.
Se fosse confirmada a história contada pelo policial que alegou ser pai da menina, o caso dela passaria a ser diferente do que é comum às crianças selvagens, porque, segundo essa versão, a menina teria se perdido na selva apenas aos 8 anos. Teria, então, tempo suficiente de exposição à língua de seus pais para tê-la adquirido em um estágio bastante avançado. Sendo assim, eu esperaria que, convivendo com sua família original, exposta à língua que ouvira quando criança, a mulher volte a utilizá-la. Veremos…
