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	<title>Comments on: A simpleza da l&#237;ngua inglesa</title>
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	<pubDate>Tue, 13 May 2008 01:29:59 +0000</pubDate>
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		<title>by: Max Guimarães</title>
		<link>http://languagebar.blogsome.com/2007/01/16/a-simpleza-da-lngua-inglesa/#comment-151</link>
		<pubDate>Wed, 21 Feb 2007 17:57:23 +0000</pubDate>
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					<description>Um adendo:

Tem um livrinho bacana sobre isso tudo chamado &quot;Language Myths&quot;, editado por Laurie Bauer &amp;amp; Peter Trudgill (London: Penguin Books, 1998). Não tem nada demais ali, nada que a gente não saiba. Mas ele é uma boa indicação a ser dada para os leigos que tenham interesse em questões de linguagem, que tenham visões preconceituosas sobre o assunto, e que não sejam teimosos a ponto de se recusarem ver outro ponto de vista.</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>Um adendo:</p>
	<p>Tem um livrinho bacana sobre isso tudo chamado &#8220;Language Myths&#8221;, editado por Laurie Bauer &amp; Peter Trudgill (London: Penguin Books, 1998). Não tem nada demais ali, nada que a gente não saiba. Mas ele é uma boa indicação a ser dada para os leigos que tenham interesse em questões de linguagem, que tenham visões preconceituosas sobre o assunto, e que não sejam teimosos a ponto de se recusarem ver outro ponto de vista.</p>
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		<title>by: Max Guimarães</title>
		<link>http://languagebar.blogsome.com/2007/01/16/a-simpleza-da-lngua-inglesa/#comment-150</link>
		<pubDate>Wed, 21 Feb 2007 17:44:11 +0000</pubDate>
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					<description>Pois é.

É impressionante como esse cliché grudou na cabeça de todo mundo e não sai mais.

Cerca de dez anos atrás, eu fazia um curso introdutório de alemão, em Campinas-SP, e os membros da turma frequentemente conversavam sobre questões de linguagem antes ou depois da aula. Havia um colega que dizia &quot;inglês é língua de índo!&quot;, e estava se achando o tal só porque estava balbuciando as primeiras palavras no vernáculo de Wittgenstein (que, por sinal, é o mesmo vernáculo de Hitler... o que não torna o vernáculo, em si, nem &quot;do bem&quot; nem &quot;do mal&quot;). Bom... em primeiro lugar, o cara era péssimo aluno de alemão... vivia aportuguesando tudo, na fonologia, no léxico, na morfologia, na sintaxe... só ele é que não percebia. Eu então perguntei: &quot;o que você quer dizer com &lt;i&gt;língua de índio&lt;/i&gt;? Ele respondeu com um exemplo do tipo &quot;eu Tarzan, você Jane&quot;. Eu retruquei dizendo: &quot;isso não é língua de índio, isso é índio tentando falar português, e fracassando, DO MESMO JEITO que você fracassa tentando falar alemão, meu caro!... aliás, e inglês? Você fala inglês pra valer? Vamos bater um papo naquela 'língua de índio?'&quot; É óbvio que o inglês dele não passava de &quot;the book is on the table&quot;... Em seguida eu dei uns dois ou três exemplos de padrões morfológicos em uma língua indígena. Ele calou a boca. Mas é bem provável que continue até hoje achando que inglês é &quot;língua de índio&quot;. 

O contrário também acontece de montão. Tem um monte de gente na terra do Tio Sam achando que o inglês virou língua de comunicação internacional (na academia, nas relações diplomáticas e comerciais, etc) porque seria inerentemente mais lógica, mais bela, sei lá o quê. Needless to say... a maioria esmagadora desses &quot;proud-to-be-americans&quot; não consegue balbuciar meia dúzia de palavras numa língua estrangeira. Os franceses também já falaram essas bobagens.. Na Gramática de Port Royal encontramos exemplos disso. E por aí vai.

Ah... e tem também aquela de &quot;todos os outros falam com sotaque, menos eu&quot;... Todo mundo acha que fala com &quot;sotaque neutro&quot;, e que os outros é que &quot;cantam&quot;, falam &quot;devagar demais&quot;, &quot;chiam demais&quot;, etc...

Quando é que os educadores de primeiro e segundo graus, professores de língua materna e estrangeira, vão conseguir exterminar com esses mitos? Resposta: quando eles basearem o trabalho deles em lingüística de verdade, levando em consideração prioritariamente (i) os universais lingüísticos e os insights teóricos sobre eles no âmbito da teoria Chomskyana; e (ii) os estudos de mudança e variação lingüística, dialetologia, crioulística, etc. Os nossos educadores costumam ser, no pior dos casos, perpetuadores da velha cartilha normativista; e, no melhor dos casos (se é que isso é melhor mesmo!), uma gente deslumbrada com uma tal de &quot;Lingüística Aplicada&quot; que não é aplicação de Lingüística, que de Lingüística não tem nada... que não passa de um pedagoguês que pode até ter alguma valia em alguns aspectos, mas que não acrescenta NADA para a compreensão da linguagem, nem pelos pesquisadores, nem pelos educadores, e muito menos pelos alunos.

Você por acaso tentou contactar o tal do Liberato e convidar ele a dar uma olhadinha aqui nesse blog?

Abraço.
Max</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>Pois é.</p>
	<p>É impressionante como esse cliché grudou na cabeça de todo mundo e não sai mais.</p>
	<p>Cerca de dez anos atrás, eu fazia um curso introdutório de alemão, em Campinas-SP, e os membros da turma frequentemente conversavam sobre questões de linguagem antes ou depois da aula. Havia um colega que dizia &#8220;inglês é língua de índo!&#8221;, e estava se achando o tal só porque estava balbuciando as primeiras palavras no vernáculo de Wittgenstein (que, por sinal, é o mesmo vernáculo de Hitler&#8230; o que não torna o vernáculo, em si, nem &#8220;do bem&#8221; nem &#8220;do mal&#8221;). Bom&#8230; em primeiro lugar, o cara era péssimo aluno de alemão&#8230; vivia aportuguesando tudo, na fonologia, no léxico, na morfologia, na sintaxe&#8230; só ele é que não percebia. Eu então perguntei: &#8220;o que você quer dizer com <i>língua de índio</i>? Ele respondeu com um exemplo do tipo &#8220;eu Tarzan, você Jane&#8221;. Eu retruquei dizendo: &#8220;isso não é língua de índio, isso é índio tentando falar português, e fracassando, DO MESMO JEITO que você fracassa tentando falar alemão, meu caro!&#8230; aliás, e inglês? Você fala inglês pra valer? Vamos bater um papo naquela &#8216;língua de índio?&#8217;&#8221; É óbvio que o inglês dele não passava de &#8220;the book is on the table&#8221;&#8230; Em seguida eu dei uns dois ou três exemplos de padrões morfológicos em uma língua indígena. Ele calou a boca. Mas é bem provável que continue até hoje achando que inglês é &#8220;língua de índio&#8221;. </p>
	<p>O contrário também acontece de montão. Tem um monte de gente na terra do Tio Sam achando que o inglês virou língua de comunicação internacional (na academia, nas relações diplomáticas e comerciais, etc) porque seria inerentemente mais lógica, mais bela, sei lá o quê. Needless to say&#8230; a maioria esmagadora desses &#8220;proud-to-be-americans&#8221; não consegue balbuciar meia dúzia de palavras numa língua estrangeira. Os franceses também já falaram essas bobagens.. Na Gramática de Port Royal encontramos exemplos disso. E por aí vai.</p>
	<p>Ah&#8230; e tem também aquela de &#8220;todos os outros falam com sotaque, menos eu&#8221;&#8230; Todo mundo acha que fala com &#8220;sotaque neutro&#8221;, e que os outros é que &#8220;cantam&#8221;, falam &#8220;devagar demais&#8221;, &#8220;chiam demais&#8221;, etc&#8230;</p>
	<p>Quando é que os educadores de primeiro e segundo graus, professores de língua materna e estrangeira, vão conseguir exterminar com esses mitos? Resposta: quando eles basearem o trabalho deles em lingüística de verdade, levando em consideração prioritariamente (i) os universais lingüísticos e os insights teóricos sobre eles no âmbito da teoria Chomskyana; e (ii) os estudos de mudança e variação lingüística, dialetologia, crioulística, etc. Os nossos educadores costumam ser, no pior dos casos, perpetuadores da velha cartilha normativista; e, no melhor dos casos (se é que isso é melhor mesmo!), uma gente deslumbrada com uma tal de &#8220;Lingüística Aplicada&#8221; que não é aplicação de Lingüística, que de Lingüística não tem nada&#8230; que não passa de um pedagoguês que pode até ter alguma valia em alguns aspectos, mas que não acrescenta NADA para a compreensão da linguagem, nem pelos pesquisadores, nem pelos educadores, e muito menos pelos alunos.</p>
	<p>Você por acaso tentou contactar o tal do Liberato e convidar ele a dar uma olhadinha aqui nesse blog?</p>
	<p>Abraço.<br />
Max</p>
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