A simpleza da língua inglesa
Mais uma na Zero Hora. O colunista da vez é o nosso escritor Liberato Vieira da Cunha. Segue um parágrafo de seu texto "A palavra simpleza", publicado no Segundo Caderno da ZH de hoje.
Um inglês, ou, pior, um americano repete dez vezes, numa única frase, um vocábulo já antes citado e reprisado. Nós, não. Somos ricos. Posso dizer que uma mulher é bela, é formosa, é linda, é bonita, é atraente, é vistosa - e mais meio quilômetro de adjetivos, como gentil, primorosa, encantadora, sensual, deleitosa. Mas o mais surpreendente é que fazemos isso com extrema naturalidade e simplicidade.
Um inglês ou americano qualquer: we are rich too. I could call a woman pretty, charming, gorgeous, handsome, good-looking, sightly - and a whole lot of other adjectives, such as kind, exquisite, beguiling, foxy, delightful. You’d better find another reason to boast.
Moral da história: é muito fácil pensar que tua língua materna tem mais recursos expressivos que qualquer língua do mundo; afinal, tu a conheces melhor que qualquer outra.
