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Em clima de eleição: uma abordagem sem sacanagem por Paulo H

Um post rápido para falar de um dado, uma formação lexical interessante, bem interessante. Muitos outros dados colhidos por aí, informalmente, talvez merecessem posts, mas este de que vou falar tem uma relevância particular porque foi usado por um candidato a governador do Rio Grande do Sul, o Roberto Robaina, do PSoL. 
Houve um debate na TV Cachorro (ou, de maneira mais culta, TV Com) numa noite dessas, com alguns candidatos a governador do estado do RS. Não assisti a todo o debate, sou um cara muito preconceituoso quanto a programas coordenados por pessoas como Lasier Martins, o cara do L velarizado (é o L mais dark do jornalismo mundial). Mas enfim, só vi alguns trechos do debate. Num instante desses, vi que, enquanto o Robaina discutia com outro(a) candidato(a), que não lembro e não interessa quem era, surgiu uma nova palavrinha (ou palavrinha nova). Um substantivo deverbal: viragem. Bom, pode até ser que alguém a tenha em seu léxico mental, mas deve ser uma minoria. De qualquer modo, me chamou a atenção. Vejam o contexto em que a palavra apareceu:

A Heloísa Helena é a única candidata capaz de promover uma viragem no Brasil.

Em primeiro lugar, não me interessa se a moça que fala alto é a única capaz de fazer qualquer coisa, o foco está na palavrinha em itálico. Me parece claro que o sentido aqui de viragem está relacionado a esse negócio de que os políticos falam muito: mudança, transformação, etc. É assim que entendo a frase de Robaina. Ou seja, compreendo a formação do cara, embora ache que ele, no fundo, quis dizer outra coisa.

Em segundo lugar, fico pensando: ele estava nervoso, como talvez todos os demais. Isso explica um engano (podemos imaginar que o cara tenha quisto dizer virada, no sentido de mudança). Não importa. Ele disse viragem, substantivo formado de virar + agem, assim como sacanagem é formado de sacanear + agem e lavagem é formado de lavar + agem. Não é isso?

Assim, podemos nos divertir:

a) Heloísa Helena é a única capaz de promover uma propagação de vírus(es), no Brasil (promover uma virose).

b Heloísa Helena é a única capaz de promover uma mudança no tempo, no Brasil (uma viração, geralmente propulsora das viroses).

c) Heloísa Helena é a única capaz de promover uma mudança na política, no Brasil (nesse caso, viragem é uma palavra nova, e, ao fim e ao cabo, um substantivo tão abstrato quanto felicidade, perfeição, humanidade. Abstrato demais para meros mortais).   


O Modelo Causal Integrado e o Modelo Clássico das Ciências Sociais por Tiago Martins

Quando se começa a ler sobre o gerativismo, uma das primeiras coisas que se descobre é que este modelo encontra forte oposição no Modelo Clássico das Ciências Sociais (MCCS). No livro Diálogos, Chomsky lembra quando começou a dar aulas no MIT em fins da década de 50. Recorda que era visto como um absurdo tratar a linguagem do modo como ele tratava, pois todo o ensino da época estava comprometido com o relativismo. O relativismo não acredita que haja uma estrutura fixa na natureza humana, não acredita em universais, acredita nas diferenças e cada sociedade no mundo seria diferente por existirem fatores sociais influenciando. Isso é discútivel e será abordado em outro texto.

Depois de ter ouvido muito falar sobre essa oposição (Gerativismo X MCCS), pouco li sobre o assunto. No entanto, achei há pouco tempo, uma ótima discussão sobre o tema no já mencionado O Instinto da Linguagem, de Steven Pinker. E neste livro, ele cita alguns dos fundamentos que caracterizam o MCCS:

"Se por um lado os animais são rigidamente controlados por sua biologia, o comportamento humano, por outro é determinado pela cultura (…) Livre de coerções biológicas as culturas podem variar entre si arbitrariamente".

Esse modelo, que tem como fundadores John Watson e Margaret Mead, acredita que existem dois grandes influenciadores no comportamento humano: a hereditariedade e o ambiente. Sobre isso, Pinker diz: "Eu ficaria deprimido se o que sabemos sobre o instinto da linguagem ficasse restrito às tolas dicotomias hereditariedade-ambiente". Deixo claro, que Pinker não despreza esses fatores, afinal, como exemplifica ele, se uma criança cresce junto de seu hamster, a criança passa a falar uma língua, o hamster não. O que Pinker defende é: há muito mais do que essa dicotomia

É indiscutível que a cultura e o ambiente influenciam, afinal uma criança nascida em Porto Alegre vai falar português, e os modelos formais que estudam a linguagem não são cegos para isso. Tudo se trata de uma questão de "recorte teórico". O modelo que se opõe ao MCCS, conhecido como Modelo Causal Integrado, do qual faz parte a Lingüística Gerativa, está preocupado com outras questões, que não são sociais. O que houve, e que é natural que gerasse uma oposição com o Modelo Clássico, é que nem a lingüística, nem outros modelos de ciência a partir dos anos 50 puderam ignorar o que as novas tecnologias podiam oferecer: estudos mais avançados sobre a complexidade do cérebro humano. Sem um mecanismo inato para o aprendizado que, segundo os racionalistas, vêm do ambiente, não há aprendizado. A maneira como o conhecimento é organizado no cérebro, a maneira como percebemos as coisas e a maneira como adquirimos a língua, está pré-determinada no cérebro de cada um, portanto é bastante compreensível que isso seja estudado em separado, pois isso vem antes dos elementos ambiente-cultura-sociedade.

Ao contrário do que é "pregado" pelo relativismo, existem sim universais. Toda a lingüística gerativa mostrou isso, as línguas não variam de modo arbitrário e sem limites, como vimos na afirmação acima sobre o MCCS. O Modelo Causal Integrado, portanto, vem em oposição a esse relativismo. Tem fundamentos em Darwin, Willian James, Chomky e em psicológos, neurocientistas e todo um time de profissionais que estuda o design da mente e como as informações que vem de fora são "acopladas" na mente/cérebro. Segundo Pinker, o MCI "procura explicar como a evolução causou a emergência de um cérebro, que causa processos psicológicos como conhecer e aprender, que causam a aquisição de valores e de conhecimentos que conformam a cultura de uma pessoa". Este modelo percorreu os estudos de lingüística formal durante toda a segunda metade do século XX e ainda é condenado por quem acredita na predominânicia de fatores sociais.   

Quanto às diferenças arbitrárias e sem limites que as culturas podem sofrer, bem, isso também parece ser bastante discutível no MCCS. Quanto ao caráter universal das línguas, sabemos que isso é verdadeiro, as línguas têm universais, têm princípios e isso já foi discutido em outros textos aqui no blog. O interessante é que as culturas também possuem universais e não variam tão arbitráriamente quanto queriam os antropólogos do século XX, para provar que o meio influencia radicalmente. Isso é discutido no último capítulo do livro de Steven Pinker e o tema do meu próximo texto.    


Sobre o texto de Sá (2006) por Paulo H

Gostaria de fazer algumas observações a respeito do texto de Edmilson José de Sá, publicado recentemente na ReVEL. De certa forma, sinto-me na obrigação de fazê-lo, uma vez que estou envolvido em uma pesquisa relacionada com o tema do artigo dele: a realização variável da lateral pós-vocálica.

Serei conciso. Assim, sugiro que leiam o artigo antes da crítica.

Em primeiro lugar, há problemas com a escrita. Vírgulas mal colocadas dificultam a leitura. Depois, há frases confusas, como o parágrafo abaixo: 

Em relação ao Português, as pesquisas mostram que a forma vocalizada [w] parece constituir a tendência geral no dialeto brasileiro. Assim, tal predominância evidencia o caminho da evolução do /l/ apontado como resultado mais inovador (p. 7). Fiquei confuso; talvez faltem informações aí, especialmente na última frase.

Bem, também há pelo menos um engano com a data do trabalho de Quednau (nas Referências Bibliográficas há apenas Quednau 1993, mas no texto aparece um Quednau 1999, o que pode gerar confusão, posto que poderia existir de fato tal referência). Mas o que há de mais grave é a citação de Hernandorena (2002), como se o texto da autora (Introdução à teoria fonológica) fizesse parte do livro organizado pela Leda Bisol e pela Cláudia Brescancini, Fonologia e Variação: recortes do português brasileiro. A verdade é que esse texto da professora Carmen Matzenauer, que já foi Hernandorena, está no livro Introdução a estudos de fonologia do protuguês brasileiro, organizado pela Leda Bisol.

Até aí tudo bem. Mas tem outras coisas. Como o parágrafo abaixo:

Em busca de caracterizar o segmento lateral, Bisol (1999) afirma que este se articula neste ponto quando for produzido através do contato da língua com os dentes ou palato. Em conseqüência disso, como a oclusão proveniente desse contato alveolar é parcial, o ar pode sair pelos dois lados da zona de articulação (p. 2). Há dois problemas aí. Primeiro: quem afirma não é Bisol, mas sim Quednau, Monaretto e Hora, que escreveram o texto de onde foi extraída a informação utilizada por Sá (mais precisamente, à página 227 do livro organizado por Bisol, que tem uma edição de 1999). Segundo: faltou dizer que os autores do texto citado se baseiam na definição de Malmberg (1954) com respeito à lateral. 

Um pouco mais abaixo no artigo de Sá, lemos que Quednau (1993) detectou as variantes velarizada e vocalizada, pesquisando diatopicamente as comunidades de Porto Alegre, Monte Bérico, Taquara e Santana do Livramento, tendo as três últimas contato entre o PB com o espanhol (p. 2). Bueno, aqui o engano é de geografia: apenas Livramento tem contato com o espanhol, por ser uma cidade da fronteira (veja o mapa).

Para finalizar, observemos este parágrafo:

Não foi nossa pretensão dar conta de todos os aspectos envolvidos na variação do segmento em Português e Espanhol para não tornar o estudo exaustivo, porém esperamos, com este trabalho, ter dado uma contribuição particular, a se somar a pesquisas de outros estudiosos para a compreensão dos contrastes por que perpassam essas línguas aparentadas em relação à lateral posvocálica (p. 7). Daqui quero extrair apenas uma afirmação: não foi nossa pretensão dar conta de todos os fenômenos, o que é bacana, pois realmente não é fácil fazê-lo, para não tornar nosso estudo exaustivo. Da minha humilde condição, pergunto: qual é o problema de procurar tornar um estudo exaustivo? Lembram do Hjelmslev? Essa exaustividade é a mesma que a dele?

São essas algumas observações que achei interessante fazer sobre o texto de Edmilson José de Sá, que, acima de tudo, deve ser cumprimentado pela pesquisa e pelo trabalho. Enviei um e-mail a ele com o link do blog, espero que possamos discutir sobre isso. Se alguém tiver outra contribuição (mesmo que for com relação a outro artigo), por favor, sinta-se à vontade para nos comunicar; postaremos sem problemas.


Catalãezinhos sem estímulo por Emanuel Souza de Quadros

Ainda com as questões de Aquisição da Linguagem do meu post anterior e do post do Paulo Henrique, sugiro, para quem se interessa pelo debate em torno do Argumento da Pobreza de Estímulo, um artigo de Susagna Tubau que traz uma evidência empírica interessante em favor do argumento. O artigo vem em resposta à afirmação de Pullum and Scholz (2002) de que faltam evidências desse tipo na literatura em lingüística gerativa.

A autora explora a observação de que seqüências Objeto - Verbo (OV) com verbos télicos1 são produzidas sistematicamente por crianças catalãs em torno dos dois anos de idade, enquanto, na fala adulta, essa ordem é quase inexistente, sendo VO a predominante em Catalão. Nas poucas ocorrências encontradas na fala adulta, a inversão ocorreu tanto com verbos télicos como com atélicos.

O que o estudo demonstra, é a existência na gramática da criança de um padrão que viola a gramática do adulto, mas que respeita os princípios atribuídos à Gramática Universal. É um tipo de evidência diferente do que foi demonstrado no meu post anterior. Não se trata, agora, de uma parte da gramática do adulto que não pode ser adquirida pela criança com base apenas em evidências positivas; trata-se de uma parte da gramática da criança que não encontra correspondência na gramática do adulto, mas que precisa ter saído de algum lugar.

1. Telicidade é uma noção aspectual. Um verbo é considerado como télico quando tem, em seu significado, a idéia da completude do processo. Ele está construindo uma cadeira, por exemplo, dá a idéia de que, em algum momento, a cadeira estará pronta e o processo referido estará completo. Já em Ele tem uma cadeira, esta noção não existe.


ReVEL - Fonética e Fonologia! por Emanuel Souza de Quadros

Para quem ainda não conhece, a Revista Virtual de Estudos da Linguagem (ReVEL) é uma publicação eletrônica, semestral. Desde 2003, a revista vem, a cada edição, divulgando trabalhos em temas específicos dos estudos lingüísticos, como Aquisição da Linguagem, Lingüística Computacional, Estudos do Texto e do Discurso, entre outros. A edição deste semestre, que acabou de ser lançada, é sobre Fonética e Fonologia e traz, além de 22 artigos e 3 resenhas de livros da área, entrevistas com a prof. Dra. Leda Bisol e com o prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari. Vale a pena dar uma olhada - até porque é de graça (não dói nada!)

Ah, e quem quiser ter seu artigo publicado na próxima edição, que terá como temas Semântica, Pragmática e Filosofia da Linguagem, tem até o dia 5 de dezembro deste ano para enviá-lo.


Pobreza de Estímulo por Emanuel Souza de Quadros

O Argumento da Pobreza de Estímulo1 é geralmente utilizado como suporte para a idéia do inatismo na linguagem. Os últimos comentários no post do Paulo Henrique me levaram a falar um pouco sobre isso, tentando deixar clara a estrutura básica do argumento, com alguns comentários sobre ele. Que sirva de convite para a discussão sobre a pertinência do mesmo, já iniciada no outro post. O argumento pode ser resumido como segue:

  1. Há certas características das línguas naturais que não podem ser apreendidas pela criança com base apenas em evidências positivas2.
  2. O ambiente lingüístico no qual a criança cresce fornece apenas evidências positivas. As crianças só ouvem sentenças válidas da língua e não se deparam com nada que as mostre explicitamente que tipos de generalizações não podem ser feitas com base nos dados oferecidos.
  3. Crianças aprendem, de fato, a gramática das línguas a que são expostas.
  • Logo, deve existir algum conhecimento inato que supra as deficiências do input e garanta que a criança adquira uma gramática adequada.

Alguns críticos do argumento questionam a segunda premissa, que afirma não haver evidências negativas no input. É este questionamento que um dos comentários ao post anterior levanta, com referência ao Seu Lev Vygotsky. Também não conheço a obra dele, por isso espero que os comentários a esse post deixem mais clara sua posição no que concerne a este tópico. Até onde sei, para esse psicólogo russo, a linguagem é uma ferramente simbólica completamente provida ao indivíduo pela sociedade na qual ele está inserido.

Um caso muito discutido na literatura é o da inversão entre sujeito e verbo auxiliar na formação de frases interrogativas do Inglês (She can lick her elbowsCan she lick her elbows?). Esse padrão têm sido considerado, há algum tempo, como impossível de ser aprendido com base apenas em evidências positivas. Isso porque, com base no exemplo acima, a criança poderia adquirir regras diferentes, como (i) o primeiro verbo auxiliar da sentença é movido para o início dela, (ii) qualquer auxiliar é movido para o início da sentença, ou, ainda, (iii) o verbo auxiliar da oração principal é movido para o início da sentença; se todos os casos fossem simples como esse, qualquer das regras seria suficiente e a criança não saberia qual delas escolher.

A diferença aparece em sentenças mais complexas como:

  • The girl who is coming can lick her elbows "A guria que está vindo consegue lamber seus cotovelos"
    1. Can the girl who is coming ___ lick her elbows?
    2. *Is the girl who ___ coming can lick her elbows?

Dentre as três regras propostas acima, apenas a (iii) daria conta do fato de que a sentença (2) é agramatical. Isso mostra que as outras duas regras não servem como generalizações adequadas. No entanto, segundo Chomsky e outros autores que adotam sua perspectiva, crianças não são expostas a frases tão complexas como (1), para que possam decidir entre as regras alternativas. No entanto, sabe-se que é algo próximo à regra (iii) que as crianças de fato adquirem, já que podem produzir sentenças complexas como estas, antes mesmo de entrarem em contato com exemplos desse tipo. Supõe-se então que essa escolha é guiada por alguma restrição imposta a priori, que determina que operações sintáticas são dependentes da estrutura dos constituintes, de modo que a regra correta deve fazer referência a essa estrutura (é o que a regra (iii) faz, ao se referir à oração principal) e não à ordem ou seqüência dos elementos.

Uma crítica a essa proposta, que foi bastante discutida, é a de Pullum (1996). O autor levanta a possibilidade de que crianças tenham, sim, acesso a estruturas complexas como (1). Um dos problemas dessa proposta é que o corpus de língua adulta utilizado para determinar a freqüência dessa estrutura foi constituído por dados de língua escrita, extraídos de artigos do Wall Street Journal. O problema com isso é que, como o próprio autor aponta, nem mesmo banqueiros fazem seus filhos dormir, contando "historinhas" desse jornal. O mérito dessa crítica foi chamar atenção para a necessidade de uma avaliação empírica da afirmação, antes tomada sem discussão, de que crianças não ouvem construções como (1), que não me parecem ser tão incomuns assim.

Entre a série de críticas que se seguiram ao artigo de Pullum, ressalto um artigo de Lasnik & Uriagereka (2002). Concedendo a possibilidade de que sentenças do tipo de (1) estejam, de fato, disponíveis para a criança na fase da aquisição, os autores demonstram que, assim mesmo, o Argumento da Pobreza de Estímulo se sustenta. Isso porque o número de descrições possíveis para um determinado conjunto de dados é indeterminado - um problema enfrentado por qualquer teoria que proponha uma aprendizagem baseada na experiência, através de inferências indutivas. Desse modo, mesmo que a criança ouvisse sentenças complexas como Can the girl who is coming lick her elbows?, nada nos dados a impediria de formular outras regras absurdas que dariam conta desse e dos casos mais simples. Também nada garantiria que, dentre essas regras, não fosse escolhida alguma que, embora consistente com os dados encontrados até o momento, não daria conta de outras estruturas com as quais não houve contato durante a aquisição. Uma solução plausível, é propor um mecanismo inato que guia a aquisição, determinando a forma que as generalizações sobre a língua podem tomar.

As abordagens empiristas falham, então, no ponto crucial, que é demonstrar como a criança consegue depreender a generalização adequada somente com base nos dados que o ambiente lingüístico dispõe. Como Lasnik & Uriagereka (2002) apontam, já no início do artigo, "uma alternativa empirista séria à perspectiva racionalista de que a estrutura lingüística é parcialmente inata teria que demonstrar como uma hipótese correta é induzida a partir de meras extensões das evidências positivas."

1. O nome do argumento apareceu pela primeira vez num trabalho de Chomsky, Rules and Representations (1980)
2. As sentenças que a criança ouve formam o conjunto de evidências positivas a sua disposição. São os dados que o ambiente lingüístico fornece sobre o que é permitido na língua. Contariam como evidência negativa, informações que mostrassem explicitamente que certas sentenças são agramaticais, como correções dos pais que dissessem que certas coisas que a criança ouve não fazem parte da língua em questão.


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