O estranho caso do verbo PONHAR
Trabalhar numa pesquisa de variação é realmente interessante. Tanto pelo aprendizado que uma pesquisa traz, quanto pelas criativas histórias que ouvimos enquanto pesquisamos em fitas de entrevistas.
Há alguns dias atrás ouvi uma fita em que o entrevistado utilizava o verbo ponhar. O que é ponhar? Fácil, infinitivo do verbo pôr. Vejamos os exemplos retirados do discurso do informante:
(1) Acham que ponhar filho no mundo é profissão, né?
(2) Comecei a ponhar na cabeça aquilo que eles falavam.
A questão é como que o indivíduo chega à forma ponhar para o infinitivo do verbo pôr.
Primeiro, essa forma é muito parecida com a forma da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, ponho. Elas possuem a mesma raiz. É também interessante que essa forma mantém a nasalidade recorrente em todo o presente do indicativo (e do subjuntivo).
A minha hipótese é que ele utilizou a raiz da primeira pessoa do singular do presente do indicativo como base para a criação do infinitivo do verbo. Utilizou a primeira conjugação pois é essa a mais produtiva em português.
Isso poderia ser recorrente em toda a primeira conjugação:
apiedo - apiedar
armo - armar
dou - dar
estou - estar
marco - marcar
negocio - negociar
Isso já não se pode dizer sobre a segunda ou terceira conjugações:
caibo - caber
digo - dizer
faço - fazer
perco - perder
posso - poder
peço - pedir
vou - ir
venho - vir
Mas isso é só uma hipótese. Não sei o quão boa ela é. Se alguém tiver alguma outra hipótese e queria compartilhar, sinta-se a vontade.
