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July 6, 2006

A review of B. F. Skinner’s “Verbal Behavior” por Paulo H

Tenho muita vontade de ler um dia o livro do Skinner que foi criticado por Chomsky em 1959. É comum encontrarmos em textos sobre o gerativismo (ou sobre a contribuição de Chomsky para a Lingüística) referências a esse artigo, geralmente dizendo que aí o lingüísta "devasta", "detona" com o livro do behaviorista. O texto faz uma crítica excelente, contrapõe argumentos inteligentes e apresenta de modo muito claro as falhas e contradições do livro, especialmente no que se refere aos termos utilizados por Skinner. Para Chomsky, a definição de conceitos como estímulo, reforço, resposta, etc, é vaga demais para explicar alguma coisa sobre o "comportamento verbal". Além disso, experimentos com ratos em laboratórios, onde o aprendizado (e o conhecimento) é medido em termos de mais ou menos tempo levado para encontrar a saída de um labirinto, não bastam para determinar e compreender como funciona o sistema cognitivo humano. Por exemplo, o fato de eu estar escrevendo isto agora não pode ser explicado simplesmente com a idéia de que há um "estímulo" e um "reforço" para que eu faça isso. É claro que, se alguém ler e achar interessante o que escrevo e fizer, quem sabe, um comentário, de alguma maneira isso servirá como "estímulo" ou "reforço" para eu voltar a escrever (principalmente se o comentário for para discordar de mim). Mas isso não diz nada, pois não podemos afirmar qual é exatamente o estímulo ou o reforço que me faz escrever. São muitos, e há provavelmente até sobreposição de alguns.

A resenha é sobre o livro do Skinner, mas Chomsky aproveita e faz uma antítese bem mais ampla, o que me parece ser bastante justificável, uma vez que ele está propondo uma outra teoria da linguagem e não simplesmente dizendo que a tese do psicólogo é absurda. Nas palavras do autor: 

If the conclusions I attempted to substantiate in the review are correct, as I believe they are, then Skinner’s work can be regarded as, in effect, a reductio ad absurdum of behaviorist assumptions. My personal view is that it is a definite merit, not a defect, of Skinner’s work that it can be used for this purpose, and it was for this reason that I tried to deal with it fairly exhaustively.

Vale a pena dar uma lida (clique aqui). Os itens X e XI, especialmente, confrontam com mais nitidez as idéias de Skinner com as de Chomsky. É muito interessante. Mais interessante ainda se lemos a defesa de Skinner feita por Kenneth MacCorquodale (Ken, para os disléxicos).

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