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July 5, 2006

Os Caminhos da Morfologia (Parte II) por Tiago Martins

Terminei a primeira parte desse texto falando sobre a Morfologia de Traços, proposta por Anderson em 1992. Para continuar daí então, segundo ele, esses traços contidos no léxico seriam "comandados" pela Sintaxe e a maneira como eles apareceriam na superfície ficaria por conta da Fonologia Pós-Lexical.  Mas isso é só um esboço do que é a Morfologia de Traços, pois eu propriamente nunca li a proposta de Anderson pelo próprio Anderson, só pelas mãos de outros. O objetivo dessa segunda parte é discorrer, na visão Spencer e Anderson, sobre a pergunta final do outro texto: A Morfologia existe sozinha?

Segundo Spencer, no prefácio do Yearbook of Morphology os editores descrevem a morfologia como uma "disciplina relativamente autônoma", mas existem alguns lingüístas que negam a existência de um componente morfológico separado.

Para o já citado Anderson, a Morfologia Flexional não tem um lugar específico  dentro dos módulos da teoria lingüística. Ela engloba - segundo Maria Filomena Sandalo (falando sobre Anderson) - todo o processo lingüístico".

"… word structure can only be understood as the product of interacting principles from many parts of the grammar: at least phonology, syntax, and semantics in addition to the ‘lexicon’." (Anderson, 1992)

A visão de Spencer valoriza a importância de se investigar a extensão da morfologia - até onde ela pode ser vista em isolado - mesmo que os problemas mais intrigantes estejam na fronteira entre ela e outros componentes.

Bem, a Morfologia pode ser pensada como parte do Léxico, como regras que governam a combinação de morfemas, como RAE´S e RFP´s, dentro de um léxico mais desenvolvido do que o léxico que é uma lista de idiossincrasias. Desse ponto, parece, para mim, que a Morfologia tem lá sua autonomia ou que pelo menos é até esse ponto que ela pode ser vista em isolado. 

Se considerarmos que a Morfologia é um componente autônomo entre a Sintaxe e a Fonologia, como no caso da Morfologia de Traços em que Sintaxe e Fonologia operam sobre esta, então a Morfologia existiria sozinha?  

Sei que a Morfologia Distribuída de Halle & Marantz também fala sobre isso e quem tiver interesse pode buscar bibliografia sobre o assunto e até mandar comentários, mas esse tema está além dos meus conhecimentos de aluno de graduação. Encerro aqui, portanto.            

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