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21/06/2006

Os Caminhos da Morfologia (Parte I e meio) por Emanuel Souza de Quadros

Não resisti ao título engraçadinho. O título do post deveria ser algo sem graça como “Os Lexicalismos” na verdade. Enfim, é apenas um comentário ao post do Tiago que acabou crescendo demais.

Resumindo, Chomsky na Hipótese Lexicalista dizia que a Sintaxe não "tinha olhos" para a Morfologia, mas Anderson (1982) discorda, como mostrado acima, dizendo que a Sintaxe e a Morfologia Flexional tem uma relação. A Morfologia Derivacional passou a ser vista como um Processo Lexical, uma vez que temos morfemas como -izar, -ção, -mente, e.t.c que podem se juntar com certas palavras. Esses morfemas e as regras que permitem que eles se combinem com determinadas palavras e não com outras estão no nível do léxico. A Morfologia Flexional é vista como um Processo Sintático, como já exemplificado com o exemplo do Michael Jackson. Em oposição ou em complemento da Hipótese Lexicalista de Chomsky, a idéia de Anderson foi chamada de Hipótese Lexicalista Fraca.

O que Anderson (1982) diz sobre hipótese lexicalista é uma interpretação derivada do postulado de que a Sintaxe não tem acesso à estrutura das palavras. Só que a hipótese lexicalista de Chomsky (1970) dizia respeito à morfologia derivacional, à estrutura da palavra antes da flexão, para a qual a Sintaxe não teria olhos; mas mesmo aí, a Sintaxe lidava com a flexão.

Depois alguns lingüistas acabaram ampliando essa hipótese de modo que a flexão também passou a ser tratada dentro no léxico – Hipótese Lexicalista Forte. Em oposição a essa última, todas as abordagens que tratam da derivação no componente morfológico e a flexão no sintático são exemplos do Lexicalismo Fraco, incluindo a proposta de Anderson.

Tem a ver com a distinção entre flexão e derivação. Os adeptos do Lexicalismo Forte costumam dizer que não há uma distinção real, logo, as duas coisas podem ser tratadas no mesmo componente; enquanto que para os adeptos do Lexicalismo Fraco, essa distinção é essencial, assim como ela é para Chomsky (1970).

3 Comments »

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  1. Eh bien, só reafirmo a minha afirmação no texto PARTE I, só que cito na integra a Filomena: “Como a Morfologia tem uma relação bastante importante com a Fonologia, a Morfologia passou a ser tratada dentro do componente fonológico”. E isso na época, sim, em que os Morfólogos estavam na praia. A divisão entre Fonologia Lexical e Pós-Lexical, essa sim, creio que foi na Teoria Padrão Estendida nos anos 70, mas o fato anterior da Morfologia “ser tratada dentro do componente morfológico” foi na época já mencionada. E para terminar, frase do texto dela: “A Morfologia passou a ser tratada dentro do quadro da Fonologia Lexical”.
    Referência: Morfologia, de Maria Filomena Sandalo, do livro vermelho Introdução a Lingüística 1, organizado por Bente e Mussalim, essa discussão está nas pgs 190, 191.

    Comment by Tiago Martins — 22/06/2006 @ 23:27

  2. Eu não disse que os morfólogos não estavam “na praia” na época em que a morfologia era tratada dentro do componente fonológico; eles estavam, sim. Disse que, à época em que a Fonologia Lexical apareceu, os morfólogos já haviam voltado da praia há algum tempo. É que na PARTE I, tu disseste que essas duas coisas haviam acontecido na mesma época. Mas são coisas diferentes. Na Fonologia Lexical (se estivermos falando da mesma coisa), parte da fonologia era tratada dentro do léxico, e não, o contrário, a morfologia tratada no componente fonológico, como no SPE.

    Também não entendi a relação com a Teoria Padrão Estendida, talvez porque eu não saiba muito dela. Mas a divisão não parece ser de lá.

    A divisão entre fonologia lexical, que opera em interação com a morfologia, no léxico, e fonologia pós-lexical, que é cega à estrutura interna das palavras, é da Fonologia Lexical.
    Começou com a dona Dorothy Siegel, em 1974, Topics in English Morphology, sugerindo que alguns processos fonológicos poderiam acontecer no léxico. Depois veio Pesetsky (1979), que desenvolveu essa idéia e abriu caminho para os trabalhos de Kiparsky (1982) e Mohanan (1982), que criaram dois modelos de Fonologia Lexical parecidos, que diferenciavam entre regras lexicais e pós-lexicais.

    Comment by Emanuel Quadros — 23/06/2006 @ 00:48

  3. Parabéns a todos pelo blog. Não deixem que morra!

    Comment by Luiz Schwindt — 26/06/2006 @ 18:26

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