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Excentricidades do Monteiro por Emanuel Souza de Quadros

Paulo Henrique comentou ontem a alomorfia proposta por José Lemos Monteiro: [ex] ~ [es] em excêntrico/esforçar. Primeiro, acho que há confusão entre ortografia e fonética aí, sim. A discussão, que Monteiro faz um pouco acima, sobre semelhança fonética ser necessária ou não para caracterizar alomorfia é motivada por casos como datilografia e dedo, em que as raízes são semanticamente relacionadas, mas não apresentam semelhança fonética (seriam, mesmo assim, alomorfes?).

No caso de excêntrico/esforçar, a pronúncia dos dois primeiros segmentos é a mesma, não faz muito sentido Monteiro representar entre colchetes [ex] e [es]: é nada mais que usar [ortografia padrão entre colchetes]. Não é uma questão de não serem foneticamente semelhantes.

Update: "não faz muito sentido", no parágrafo acima, deve ser lido como "não faz sentido como transcrição fonética". O problema não é esse porque a intenção do autor parece ser apenas representar o morfe, sem preocupações com a maneira como ele é pronunciado. Nisso, o autor é constante em quase todo o resto do livro, representando morfes entre colchetes. O problema está em dizer que há alomorfia entre [ex] e [es]. É um problema porque confunde alomorfia com diferentes maneiras de se grafar um morfema.

Quanto às palavras serem prefixadas sincronicamente, ou não, também não tenho certeza. Mas não acho que o Monteiro esteja totalmente enganado aí. Diacronicamente, é verdade segundo Oiticica (1939): do sentido de "movimento para fora" do prefixo ex- derivaram os sentidos de afastamento e de excesso que tem em excêntrico e esforçar, respectivamente.

Sincronicamente, que é o que nos interessa, acredito que a prefixação também não é tão implausível assim. Em excêntrico, podemos identificar a raiz, o sufixo -ico e o sentido de afastamento que parece mesmo ser adicionado pelo prefixo ex-, apesar de todas as extensões de sentido que renderam o título do post. Em esforçar, podemos reconhecer a raiz, a terminação verbal, e não seria interessante se não pudéssemos relacionar (e comutar) com força, forçar e reforçar.

In my humble opinion.


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