Chomsky, Lenneberg e o Inatismo
"Há entre os cientistas sociais uma tendência a considerar a linguagem como um fenômeno puramente aprendido e cultural, um instrumento engenhosamente concebido, introduzido de forma proposital para desempenhar funções de natureza social. Não nos ocorre encarar a possibilidade de que o homem possa estar equipado* com propensões biológicas altamente especializadas que favorecem e até mesmo dão forma ao desenvolvimento da fala na criança e que as raízes da língua possam estar tão profundamente fundadas na nossa costituição natural quanto, por ex., a nossa predisposição para usar as mãos". (Eric Lenneberg)
Lenneberg em um texto chamado "A capacidade de aquisição da linguagem" discute o inatismo; a idéia de que não aprendemos uma língua e sim a adquirimos. Quando usei o termo equipamento genético no meu texto anterior me referia a esse termo usado no trecho acima. Emanuel bem observou que a concepção de Inatismo não é de Chomsky, faltou eu ter colocado um simples aposto esclarecendo. Chomsky se utilizou dessa idéia na Gramática Gerativa. Humboldt também, antes de Lenneberg, falou nisso. Dizia que a língua é uma questão de maturação de uma capacidade inata do ser humano.
Essa não é a questão crucial do Gerativismo, mas penso que é - para um texto introdutório destinado a leitores que não conhecem a teoria - com certeza, o ponto mais interessante. Ponto que inverte o pensamento usual sobre a linguagem como algo ensinado.

Certo, Tiago. Só achei importante deixar claros os pontos difusos e colocar os apostos necessários, sobretudo por ser um texto introdutório.
Comment by Emanuel Quadros — June 9, 2006 @ 21:18